Militarização

A tocha olímpica escorre sangue!

Em nome de uma tal PAZ, morremos todos os dias. Seria isso uma postagem, ou um diário de guerra?

Texto Por Raull Santiago e Foto por Carlos Cout

Logo no inicio da tarde, chegaram as primeiras mensagens de moradores da localidade FAZENDINHA, no Complexo do Alemão, informando que havia uma operação policial, que já houveram confrontos e que nós, outros moradores, deveríamos evitar a área. Em seguida, o mesmo foi dito sobre o loteamento da Nova Brasília, área vizinha a fazendinha.

Os confrontos se intensificaram e passaram a ser ouvidos por parte da favela, gerando aquela tensão terrível, de quando estamos em dia de guerras.
Logo começaram a chegar notícias desesperadoras, sobre moradores/as feridos/as, bens desse moradores/as danificados, alguns alvejados por tiro, ou por consequência da presença do carro blindado da polícia militar, conhecido por nós como: CAVEIRÃO.

O clima só piorava e chegou ao cúmulo da sensação de revolta, quando veio a notícia de que um jovem, alvejado, encontrava-se em estado grave num hospital e que uma senhora, também atingida por tiro, não havia resistido aos ferimentos e faleceu, na UPA do Complexo do Alemão. Após isso, os confrontos se intensificaram ainda mais no Complexo do Alemão. O CHOQUE FPÖ chamado, várias viaturas apareceram na favela e também 2 veículos blindados.

Por volta das 20h, nos reunimos ( Carlos Cout – ‪#‎ColetivoPapoReto‬, Allex Leko – ‪#‎SoltaVozMorador‬, Renato Moura – ‪#‎VozdaComunidade‬ e eu) e fomos, com nossas câmeras e celulares, fazer uma ronda na favela, para entender a gravidade da situação. Passamos na UPA, onde haviam 5 viaturas da PM, muitos policiais e parentes da senhora que havia falecido, alvejada nessa guerra.

Descemos a Itararé, pegamos a Itaoca e passamos pela entrada da Brasília, Fazendinha e subimos o morro pela área 5. Nestes 3 últimos percursos, vimos muitos policiais da PM éo caveirão entrando na Fazendinha. Dá área 5, seguimos por dentro da favela, pela rua principal – caminho das kombis, onde a presença de policiais PM e CHOQUE eram aos montes, além de caveirão, parado frente a base/container que fica na entrada do Campo do seu Zé.

Nessa hora, olhamos para o chão e haviam muuuuuuitas pedras, garrafas quebradas, um caos que indicava enfrentamento não armado, de moradores com os PMs da base. Fomos conversar com os moradores sobre o que havia acontecido e fomos informados do seguinte: “PMs mataram a senhora, em um momento onde os confrontos haviam cedido. Ela saiu de casa e foi buscar o neto dela, que estava abrigado do outro lado, no campo, então a policia atirou. Não podíamos aceitar mais uma morte, quase da mesma forma como fizeram com o Sherek (moto taxista assassinado pela PM meses atrás). Fomos para cima deles, estão nos matando. Ou vão dizer que a senhora, desarmada, oferecia algum risco?”

Infelizmente, por conta de uma política de segurança que não inclui a nós, moradores/as de favela, mais inocentes estão feridos ou mortos.

É inaceitável. Estamos sendo exterminados!

‪#‎BASTADISSO‬. Precisamos reagir, FAVELA!
‪#‎TáTudoErrado‬ na forma como dizem enfrentar o mercado das drogas, onde através do discurso de “Guerra as Drogas”, destroem a favela, diariamente.

Em momento algum, em anos, se mudou a tática, tendo em vista que morrem todos: varejista da droga, policial militar, moradores, mas nada muda.
E nem mudará, dessa forma falsa, que gera lucro para muitos que não são da favela, mas dominam o mercado das drogas, das armas, dos esquemas de corrupção, estes que enriquecem toda vez que escorre o nosso sangue.

A UPP não faliu, COMEÇOU ERRADA, quando o estado e governo federal, repetiram o erro de olhar para o morador de favela, através da secretaria de segurança, através da mira do fuzil de um policial, APENAS.

QUE AVANÇO É ESSE?

Em nome de uma tal PAZ, morremos todos os dias.
Seria isso uma postagem, ou um diário de guerra?

‪#‎NósporNós‬
‪#‎FavelaSempre‬
#ColetivoPapoReto

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